O governador Eduardo Leite confirmou, em vídeo divulgado pelo Palácio Piratini, que a cogestão volta na próxima semana, mas advertiu que a flexibilidade poderá ser adotada em "algumas atividades". Leite vem se reunindo com entidades ligadas a municípios, prefeitos, como o de Porto Alegre, e, segundo ele, especialistas, para tratar dos próximos passos no enfrentamento da pandemia.
O Rio Grande do Sul passa pelo pior momento, tanto em casos, mortes como pressão por atendimento. Nessa terça-feira (16), foram notificadas 502 mortes por Covid-19, que ocorreram desde sábado (13). A ocupação das UTIs em hospitais se mantém perto de 110%. Mas a vacinação, ainda restrita aos acima de 75 anos, como em Porto Alegre, já estaria reduzindo internações e óbitos nesses grupos.
São quase 3,5 mil doentes internados, sendo quase 2,7 mil com Covid-19 (2.504 confirmados e 171 suspeitos), um pouco acima dessa terça-feira (16). Em leitos clínicos, são quase 6,2 mil entre positivados e suspeitos, com leve alta frente ao dia anterior.
"Devemos partir para a retomada da cogestão com medidas severas de restrição, como o toque de recolher e suspensão de atividades em fins de semana", citou o governador. Mas Leite condicionou a palavra final ao desfecho dos dados da pandemia até o fim de semana. Mas antes disso, Assembleia Legislativa e setores empresariais já indicaram que contam a medida.
O que a equipe do governo espera validar é a evolução dos indicadores, prinicpalmente os ligados à taxa de contágio, quando se trata da transmissão do vírus, e ritmo e nível das internações em UTIs e leitos clínicos. O chefe do Piratini diz que os óbitos contam, mas destacou que muitas mortes, em número crescente, são efeito do período recente mais agudo da crise sanitária.
"Ver o registro de mais de 500 mortes (nessa terça-feira) toca qualquer ser humano, mesmo que sejam em mais de um dia", observou, prevenindo que a perda de vidas para a Covid-19 ainda vai se manter em alta nas próximas semanas.
Dois dados embasam a projeção de que se pode manter bandeira preta, mas liberando para que as regiões adotem regras da bandeira vermelha, que é de alto risco, mas mais amena do que a preta. Isso tudo já na cogestão. Na vermelha, comércio e serviços como restaurantes podem abrir.
Leite citou que o aumento médio diário de 350 leitos de UTI ocupados desde fevereiro recuou a 16 leitos a mais por dia sendo demandados. "Além disso, a taxa de transmissão (TR) verificada em meados de fevereiro, que estava em torno de 2,35, passou agora para em torno de 1,4", comparou o governador.
