Quarta, 05 Fevereiro 2020 15:00

Dr. Edilberto Hammes completa 50 anos como médico em São Lourenço

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Por Dr. Edilberto Luiz Hammes


Um recorde. Nenhum médico, em toda a história de nosso Município, exerceu por tanto tempo e, ininterruptamente, a profissão de Médico! Embora nascido na cidade de São Lourenço (ainda não era “do Sul”, partícula recebida apenas em 1944), fui levado por meus queridos pais Guido e Erna, aos dois anos de idade, junto com meu (hoje saudoso) irmão, Wallney, oito anos mais velho, para que ele pudesse seguir os estudos na vizinha Pelotas, já que por aqui só havia o curso primário, elementar, para que os filhos tivessem um futuro melhor. Em 1949 fui matriculado na tradicional Escola São Francisco de Assis, onde fiz meu curso primário (do primeiro ao quarto ano). Em 1953 fui para o Colégio Gonzaga, onde cursei o “Ginasial”, ficando até 1960 agora já no curso “Científico”. Em 1961 servi ao Exército Brasileiro no 9 o Regimento de Infantaria num ano de chumbo, quando o presidente da República Jânio Quadros renunciou, dando seguimento a uma longa época politicamente incerta em nosso país. Em 1964 fiz o vestibular para o curso Médico, passando a fazer parte da segunda turma da Faculdade de Medicina da novel Universidade Católica de Pelotas, formando-me a 12 de dezembro de 1969 e já “preparando as malas” para retornar ao meu torrão natal, agora casado e com a esposa esperando nosso primeiro filho, ocupando a vaga aqui que seria de meu colega de aula e também lourenciano Dr. Paulo Cury que optou por exercer a Medicina na cidade mato-grossense de Guiratinga por indicação de nosso professor comum, Dr. Giovanni Baruffa. Fui aceito para exercer a Medicina na Santa Casa de Misericórdia, como clínico, anestesista e radiologista (estando essa última especialidade prevista para iniciar em fevereiro que se aproximava), a 30 de dezembro de 1969, pela diretoria do hospital, representada pelo seu Provedor, sr. Arthur Kraft. Nosso primogênito Günther (hoje também médico) nasceu em Pelotas a 15 de janeiro de 1970 e, com apenas 17 dias de vida, foi trazido por mim e pela mãe Iára no nosso primeiro automóvel, um fusquinha de segunda mão, ano 1968, cor azul celeste, mostrando o caminho para o motorista do caminhão de mudanças, para nossa primeira residência aqui, à rua Almirante Abreu 296 (em frente à residência do padre Léo Seger, então pároco de nossa cidade). Era 2 de fevereiro de 1970, feriado que comemorava o dia de Nossa Senhora dos Navegantes. Trabalhavam à época na cidade de São Lourenço apenas quatro médicos, drs. João Baptista Brauner (em fim de carreira), Vidal da Rocha Filho, Rosalvo Azevedo e Helyo Juarez Bueno. No dia seguinte, o Serviço de Radiologia foi inaugurado, com minha presença e também a do provedor, da Irmã Inocência, madre-superiora da Santa Casa, da auxiliar Vera Regina Marques da Silva e de alguns curiosos funcionários. Tenho até hoje a primeira radiografia (um tornozelo fraturado) realizada em um simpático velhinho indigente sr. Clemente Macedo.
Em 1980 passei a responder também pelas interpretações de exames radiológicos realizados no Hospital Dr. Walter Thofehrn, o que faço até os dias de hoje. Problemas - que gostaria de esquecer - fizeram com que fôssemos (meu filho primogênito já trabalhava comigo aqui em São Lourenço do Sul também em nossa Clínica) dispensados do Serviço de Radiologia da Santa Casa nos primeiros anos da década de 2000 pelo grupo que mandava no hospital. Lamento a presença deles em minha vida!
No último dia 12 de dezembro de 2019, ao completar 50 anos de formatura, decidi, por vontade própria e por opção, deixar de atender em consultório. Nesse meio século, procurei atender da melhor forma possível, sempre, meus clientes – particulares, do SUS, conveniados e indigentes, sempre da mesma maneira, com atenção e com educação – e, se tive insucessos, esses não foram absolutamente por minha vontade. Além da profissão, ainda encontrei tempo para deixar algumas coisas interessantes para nosso Município, em especial o Pórtico do Sol (quando presidente do nosso querido Rotary Clube) e os livros que escrevi ocupando, em suas pesquisas, décadas de minha vida, certamente, não deixarão nossa história no esquecimento. Como tenho incontáveis “velhos clientes”, de longa data, tenho continuado a atendê-los em minha casa, com muita alegria, bastando, para isso, que liguem para minha residência para marcarmos o dia e a hora da consulta, até quando Deus quiser. Agradeço à convivência com muitos médicos que chegaram depois de mim, dos quais vários amigos, a todas aos milhares de crianças, de adultos e dos velhinhos (hoje eu sou um deles) que passaram por mim durante este meio século e com as quais fiz amizades incríveis. Sempre digo: um dia começamos, chegamos ao auge e decaímos, mental e fisicamente. Agora está chegando a minha vez. Aos poucos e, cada vez mais, com certeza, vou precisar, assim como minha esposa, meus filhos e minhas filhas, dos préstimos de meus colegas mais novos, como fui um dia. Obrigado por tudo, meu povo, meus clientes, meus amigos, meus bons colegas, minha família (por não estar sempre presente, talvez quando mais necessitaram, no auge de minha carreira).
Cinquenta anos que passaram muito rápido...

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