Quinta, 27 Dezembro 2018 06:47

Os 100 anos do Grêmio Esportivo Lourenciano

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* REPRODUZIDO do livro Radiografia de um Município, do Médico e Escritor EDILBERTO HAMMES em homenagem aos 100 do Grêmio Esportivo Lourenciano que será comemorado no dia 24 de junho de 2019.

Seus primeiros passos
Com toda a propriedade, Jary Ferreira de Carvalho, um dos maiores nomes do grande clube azul-e-branco, costumava dizer: “Em cima dos sacos da fábrica de café de Sérvulo Vilhegas de Campos foi fundado o Grêmio!”. A primeira diretoria teve como presidente Carlos Helms Filho, como secretário Augusto Tomaschewski Junior e como tesoureiro Nery Julio Centeno. Sua original atividade foi o jogo de futebol. E a sua primeira equipe, formada no ano de sua fundação, constituía-se dos seguintes atletas: Ariauto Forni, Roberto Franz ou Juvenil Villar e Nery (“Nerico”) Centeno; Max Maia, Dirceu Leal e Porfirio; Darcy Baumgarten, Moyses Leivas, Eugenio Cói, Homero Ferreira (foto na próxima página) e Francisco Leal. O primeiro campo de futebol do Grêmio situava-se à margem direita do arroio São Lourenço, defronte à casa comercial de Roberto Nickhorn – gentilmente cedido para esse fim por Ludgero da Cruz Pereira – sendo de longe reconhecido por ter um grande mastro de eucalipto, ostentando a bandeira azul e branca do clube. Foi por causa disso que os gremistas receberam o nome de “capivaras”, ou “calafates”, pois utilizavam, logo após os jogos, o arroio para tomar banho (como as capivaras) e porque ficava o campo junto ao estaleiro de Ludgero, onde trabalhavam os calafates (operários que calafetam os barcos).


As conquistas materiais, a construção e a inauguração do pavilhão
Além do futebol, as atividades sociais desenvolvidas pela ala feminina, desde o início, tiveram invulgar destaque. Com o passar do tempo, enquanto ia consolidando seu prestígio junto à comunidade e as demais da Zona Sul, o Grêmio tratou de aumentar seu patrimônio e diversificar suas atividades esportivas. Assim, na gestão do presidente Julio Baumgarten, foi organizada uma grande quermesse, cujo resultado financeiro foi logo empregado na compra de um campo com 46.116 metros quadrados, situado na rua dos Atiradores e que preenchia, pelo tamanho e localização, todas as exigências requeridas para ser construída uma grande praça de desporto. Em que pese às dificuldades, Guilherme Timm, liderando um grupo de gremistas da gema, transformou o campo bruto, pantanoso, num bom campo de futebol. No início de 1931, com Homero Soares Ferreira na presidência, foi cercado o terreno com tábuas bastante resistentes que duraria praticamente 20 anos. Nos últimos dias de agosto de 1933 a diretoria do Grêmio resolveu construir um pavilhão, antecipando-se ao seu grande rival Esporte Clube São Lourenço. Sua planta havia sido confeccionada pelo hábil e esforçado gremista Demetrio Carneiro, estando prevista, sob suas dependências, uma sala que serviria como secretaria onde deveriam ser inauguradas fotos de beneméritos. No dia 12 de novembro de 1933 – ainda sob a presidência de Homero Ferreira – foi inaugurado o seu primeiro pavilhão. O Jornal, de 23 de novembro daquele ano, registrou com pormenores: “Inauguração do Pavilhão do Gremio Sportivo Lourenciano: dia 12 de novembro de 1933. Convidado para a partida inaugural o “Concórdia F.C.” de Pelotas chegou de manhã. Ao meio-dia almoço no Hotel do Comercio com a delegação e diretoria do Gremio. As 14 hs com a presença da delegação do Concordia, sociedades locais, autoridades civis e militares, grande número de família, fez uso da palavra o Sr. Dr. Dionysio Duarte e Aragão que elogiou as diretorias anteriores. A rainha do Gremio Srta. Maria Ferreira cortou a fita simólica, inaugurando o pavilhão. Falou em nome do Sport Club São Lourenço o Dr. Pio Ferreira saudando a Diretoria do Gremio. O pavilhão construído sob a direção do Sr. Demetrio Carneiro, tem 15 m de comprimento e 6 de largura. Na parte da frente comporta 10 camarotes para a diretoria, pessoas gratas, famílias de socios e benemeritos, honorarios, autoridades, imprensa, etc. Arquibancada para 600 pessoas. Na parte dos fundos tem espaçosos quartos para a diretoria, jogadores, copa, etc. No jogo: empate 2x2 na preliminar (segundos times) e 2x1 para o Gremio na principal. Arbitro Antenor Paiva. As bandas de música Ordem e Progresso e 13 de Maio abrilhantaram a festa. No termino houve reunião para comes e bebes entre os clubes na S. R. 7 de Setembro e a noite até as 3 horas baile na Sete.” No dia 24 de maio de 1934, Erico Gama, presidente em exercício, convocou uma Assembléia Geral, que aconteceu na sede do Clube Comercial (cedido pelo seu presidente Guilherme Timm), tendo a ela comparecido 41 associados. Vitor Hugo Baumgarten, escolhido presidente da assembléia, fez uso da palavra, discorrendo sobre a personalidade de Homero Ferreira – cujo desaparecimento a 8 de abril causara o mais vivo e profundo pesar em toda a sociedade lourenciana – propondo dar ao campo do Grêmio o nome de “Praça de Desportos Homero Ferreira”, legenda que deveria ser escrita em sua entrada principal, o que foi aceita plenamente pelos sócios presentes. Em 1936, Darcy Baumgarten, presidente, tornou realidade o que ficara resolvido na ata 97, de 24 de maio de 1934, homenageando o infatigável e grande presidente Homero Ferreira, falecido prematuramente, com 29 anos de idade, e dando ao estádio o seu nome.

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